Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Na cama ao lado

Fogo
Desejo
Não Pare
Não mais
Direi o que não farei
Porque farei
Se assim quiser
E não direi.

Lugar. Estado
De espírito. De corpo. Permissão 
Não Se explique mais!
Da tua voz, quero o teu beijo
Da tua boca, escuto teu silêncio 
Teu barulho no meu peito. Teu peito
Meu copo vazio
Fora cheio, antes, agora não 
Não Pare!

O que acontece já não é novidade
Primeira ou segunda vez
História antes contada de palavras já ditas
Frases já caladas
Em braille escritas
Nas tuas costas, pescoço, subindo... ow não!
Tuas mãos no meu corpo 
Meu suor nas tuas roupas (?)
Meio despido
Meio vestido
Meio perdido, encontro-me no instante agora onde desafirmo certeza de outrora:
Meu anterior não!

A cama ao lado é uma memória 
De agora, no futuro
Do passado, no agora
De futuro, no futuro, será?
Não darei resposta.
Fica a cargo da tua 
Permissão. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Da janela, ela lembra

About #saudade

Barquinho de papel (azul)