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Mostrando postagens de março, 2012

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Há um cravo no parapeito da janela.

As palavras voltam a meus punhos e descem por meus dedos, mas ainda não sei se tomarão forma. Não sei se pintarei com elas um texto ou apenas farei delas aquarela. Tenho muitas cores em mãos, ainda nos potes, e não sei ao certo qual usar nesse momento. Temo que alguma delas caia sob meus braços encharcando-os de tal forma que eu não saiba controlar, por isso tenho calma (tento ter calma). Sei que o subjetivismo de minha vida causou-me problemas. Sei que ao passo que eu não me entendia, não fazia mais alguém me entender. Fiz promessas para livrar-me dele, inventei que havia me libertado, quis me convencer de tal, de tola me fiz, de tola deixei-me fazer. Esse subjetivismo que me fazia escrever (ou mesmo falar) nas entrelinhas, que me fez me perder mais ainda quando eu já estava perdida por entre meus sentimentos, pode ter uma causa quase comprovada, pra não dizer certamente comprovada: Medo. Esse ator que participou de vários capítulos, lá meses, anos de minha história...

Começando o recomeço.

Medo do novo. De novo, medo. Novo caminho. À caminho do novo. De novo (temporário ou contínuo ). Nada é tão imutável que o novo não mude.