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Mostrando postagens de outubro, 2013

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Sabe-dó-ria: Saber ao som do riso - ou não.

Sinto falta dos meus entre os seus onde estou. Sinto falta de quem me quer bem mais além de quem eu pareço ser, veja bem, não sou. Assim são meus dias, tecidos em meios estes, escritos por tortas linhas onde me pintaram estar, mas sou mais do que as palavras determinadas por alguém - não sei quem - que diz que devo aceitar e daqui não me retirar. Digo ser bobeira e fico assim, sem medo saber que o mesmo motivo que aqui me trouxe há de me levar pra um outro lugar (mais conhecido e novo) o qual não sei porque temei em deixar. Ou quem sabe eu saiba, na verdade sei, se fez de academia, me ensinaram Platão, teorema e funções; nas coordenadas eu me vi de rosa dos ventos quebrada e latitudes trocadas hoje estou a sentir: saudade do litoral, da brisa manhã maninha, a cidade do (carnaval, ao qual eu não ia) e hoje poderia ir -não gostando assim- só para saber, só para sentir, que ai estou, que estou de volta, que não me rendi. 08/09

Faz madrugada desse dia longo... faz.

Há horas que nada preenche e o tempo brinca de não passar... Há horas que tudo passa rápido e o relógio imóvel marca 3h da tarde: Roupas são lavadas, a casa é arrumada - cada azulejo delicadamente esfregado, todo pó tirado - o café passado cheira na cozinha... O banheiro transparece o rosto de touca e as mãos de luvas, o jantar embebeda o imóvel depois da louça do almoço lavada e  o lanche feito e degustado, a roupa já seca é passada, o jantar apreciado... Tudo limpo novamente. E o relógio. Marca 3h da tarde. Só porque tu não estás aqui, mas                                                                 quando tu chegas,        ...