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Mostrando postagens de junho, 2016

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Certeza de um futuro sem passado

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Não sei sobre o amor, mas sei sobre gostar. E não nego, não brinco, escondo ou jogo, Só gosto. E só quero que fique quem goste de mim. Quem queira tudo do fundo da alma. Porque promessas tornam-se dívidas, obrigações, se perdem no tempo; pesam e frustram. Sobre frustração eu sei, dispenso. De ti gosto, mas a espera eu dispenso. Pra que depois ainda goste. Pra que não desgoste de mim. Porque seja quem venha, quem vá, eu continuarei e as memórias que terei serão das decisões que tomei. Então vá. Porque te gosto vá, e continuarei gostando em memória, sem tempo futuro, presente ou depois. Sem mais, mas ou porém. Vá  e goste de alguém, seja de alguém e morra de amor.