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Mostrando postagens de maio, 2021

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

o céu de hoje

 Como tela de Michelangelo as nuvens se aproximavam de mim, foi como sonhar acordada... O céu, telhado do teatro que eu nunca fui Que lembro desde pequena observar prender o meu olhar nessa enorme tensão de não saber explicar o que eu sinto e se vejo, de fato não sei a verdade A certeza  não me ocorre mais mas tenho na memória a lembrança de outrora em que  ia ao teatro com sua poesia e via como era pelos olhos da criança enxergar a vida que vi passar que vi chegar aos anos que antes nunca tive a idade da idade da idade que não queria contar E como vitrais em azul marinho e branco que se movem e se moldam aos desejos das minhas ações sinto-me abraçada pelo céu de longe bem perto de mim e assim me sinto em casa em casa em casa brincar e cair e chorar em casa acordar para mais um dia ficar em casa