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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Vermelho

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Sob o vinho derramado eu escrevo Taça sem trincas ou lágrimas Puro como és Uvas fermentadas só Desespero não há Ansiedade não há Certeza e simplicidade só Apenas a nudez da alma d ebruçada sobre o que não sabe intitular, mas descrevo com um sorriso bobo: Tinta vermelha sobre o meu chão Formam desenho Barroco? Intensidade e desejo Palavras e xícaras Sem pecado ou perdão Saberia Gregório não recorrer ao padre toda vez que de sua vontade ele não abrisse mão? Fica a pergunta Mas sem dúvidas ou dávidas, milagres ou sedas que atrapalhem minha visão vo lto a dizer: Há uma taça de vinho pintando o chão Do meu quarto E isso é fato.