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Mostrando postagens de dezembro, 2014

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

doce salgado mar de outro, algum, qualquer lugar

e às vezes eu queria voltar de tanto querer ir não sei quando eu quis sair lá da beira daquele mar sem mais alguém barrando o sol sem mais alguém fazendo companhia pra aquela praia triste e fria como um peixe e seu anzol já não sei onde quero estar onde estando seria feliz já não sei onde repousar onde descansar o mal que a mim mesmo fiz ao perder de todas, uma chance duas, três e não sei mais devo ter deixado pra trás o que me faria ir adiante onde entre sonhos me perco e a distância encontro eu diria em outro versos que ainda são em outros tempos que ainda não passam no mesmo embalo dos ponteiros nunca tão ligeiros como o voo de um falcão