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Mostrando postagens de abril, 2013

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Máscaras em conflito

A inspiração vem de onde não deve, mas de onde mesmo deve vir? Se sentimentos alfloram em cascata e escorregam pelos pulsos, chegam as mãos, máscaras postas são ilusão; quando se pode ver através  do rosto escondido com lágrimas caindo de ofegante respiração; que deseja se guardar para um outro não ferir,  sem saber está a demonstrar o que o próximo também sente ou imagina sentir. Mas falta a certeza e sobra o futuro desenhado sabiamente por Quem pode garantir que esse baile de fantasias sucumba  reste apenas rostos, desescondidos da verdade dispostos a amar, dispostos a saber que no fim das contas, vale a pena desmascarado viver.