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Mostrando postagens de fevereiro, 2016

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Que teus olhos me vejam.

A viola desafinou, o piano perdeu as teclas e o maestro o compasso, quando tu não me avistou. Fiquei de longe te olhando, pensando em ir conversar qualquer coisa sobre motores, chassi  ou teu perfume, só pra conhecer tua voz, aparecer em tua foto, contigo prosear. Mas menina não tive coragem, então fiquei admirando, guardando cada cena, planejando contigo falar, até comentei com amigos meus, sabes como são os homens... Disseram: "vai lá ôh Romeu, não é dela que quer saber o nome?" Porém quem disse que as pernas obedeciam o que a mente desejava, só se moviam os olhos ao te ver entre elas, querendo estar naquela foto, pra que em noite qualquer tu perguntasse "quem és aquele intruso? Meninas vocês conhecem? Nunca Vi mais mudo" só pra que em teu celular eu estivesse. Entretanto não foi assim que prosseguiu e o tempo tomou outras rédias, foi disfarçado de outro perfil que continue a te observar e traçar e pensar e curtir. Mas como toda vontade não demora até a ela a ...

Sobre um tempo Transiente

Os dias passam sem acabar E algo fica por acontecer Perco-me de mim só de perceber Que não restou nada no lugar Em toda bagunça não encontro A vontade que fazia tudo acontecer E ainda permaneço sem saber Quando tudo isso vai acabar (Ou voltar Pro seu lugar) Não sei mais sobre o futuro Desconhecido passado Sem sorte presente E o tempo embaraçado Se faz distante Distoante Ausente Fazendo-me ter certeza Que não mais me conheço Ei seu moço, faça a gentileza De mostrar um pouco mais de clareza Nos seus ponteiros incoerentes Deixe-me apenas algumas pistas Para que eu possa juntar Uma dica, um sussuro De como tudo ajeitar E por no lugar Por favor, te peço Já não aguento mais sentir Um coração vazio por decreto Uma mente sem ter para onde ir.