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Mostrando postagens de novembro, 2020

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Na cama ao lado

Fogo Desejo Não Pare Não mais Direi o que não farei Porque farei Se assim quiser E não direi. Lugar. Estado De espírito. De corpo. Permissão  Não Se explique mais! Da tua voz, quero o teu beijo Da tua boca, escuto teu silêncio  Teu barulho no meu peito. Teu peito Meu copo vazio Fora cheio, antes, agora não  Não Pare! O que acontece já não é novidade Primeira ou segunda vez História antes contada de palavras já ditas Frases já caladas Em braille escritas Nas tuas costas, pescoço, subindo... ow não! Tuas mãos no meu corpo  Meu suor nas tuas roupas (?) Meio despido Meio vestido Meio perdido, encontro-me no instante agora onde desafirmo certeza de outrora: Meu anterior não! A cama ao lado é uma memória  De agora, no futuro Do passado, no agora De futuro, no futuro, será? Não darei resposta. Fica a cargo da tua  Permissão.