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Mostrando postagens de dezembro, 2012

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Pra cura, a pele.

ou: meu caro amor platônico Estou curada, meu caro estou curada de todos como você, não sei qual foi o certo que encontrei entre os remédios, talvez o mesmo tédio que te fez aparecer. E sem ti estou vivendo, sem fantasmas ou vícios, equinócios e solstícios sem teu rosto desejar; o real me consome e tu que não tens nome não me vem mais a faltar. Só porque estou curada, amor, estou curada de todos como você. E se lágrimas caírem, meu rosto sucumbirem por carne e osso serão, por amor ou ódio, por um nome, rosto, feição. Tato, pele e dor, calor do corpo real; sem imagem, imaginação, apenas a solução: esse necessário final. Se algum bem um dia teu vício me fez, agradeço e me despeço porque estou curada, platônico estou curada, de todos como você.