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Mostrando postagens de fevereiro, 2019

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Alguém entre alguéns

Minha respiração parou. Ponteiros, nuvens e alguéns . O vento não mais dançou. Por um instante aquele que meus olhos congelaram em ti. Passaram os dias meses anos. Hoje tudo anda, nada mais para. O vento dança, o tempo inteiro. Somos alguém entre alguéns que também passam. Que às vezes param. Quando na multidão estranhos olhos por amor ou sorte, congelam.

Adrenalinamente

A curva do teu sorriso, feito montanha russa, por hora me faz perder a fala, por hora, encontrá-la em estado desumano, desesperadamente tentando gritar o que ninguém entende. Eu não entendo. Explica-me?

Sobre tu

Algo de bom vai acontecer quando eu te vejo Ou parece que vai Se vai, não sei Espero que sim. Algo de bom vai acontecer quando te vais? Então vai E apaixona-te por alguém Por ti mesmo, talvez E fica Faz, de tu, coração e alma Divide, soma, forja-te inteiro Encontra-te.