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Mostrando postagens de agosto, 2025

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Da janela, ela lembra

Imagem
imagem editada a partir da original Da janela, ela vê a porta pro mar de água salgada que agora escorre pelo rosto e lembra da saudade do amor vivido. Amor replicado nos corações nascidos gerações depois. Da porta para o mar, ela vê a areia que o vento faz ir embora, vento que assopra o coqueiro levando o cheiro (dele) pra longe da gente, para perto da certeza de que a vida se fez como o desejo que se realiza.  A porta pro mar é a prova de que não houve lugar melhor para descansar o corpo e a alma.  Sem coincidências, sem destino, a decisão consciente e deliberada, que até pode ter sido construída feito sonho, foi vivida, imensamente vivida na vida de vigília.  Todos os dias, diante da porta pro mar. A imagem nasce feito sonho: um pouco do que a gente lembra da vida de vigília, um pouco do que a gente quer que seja; e vem para ilustrar a saudade sentida e o amor eterno de uma vida que continua além da porta, além do mar, além do imaginável. Para sempre, seja e...