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Mostrando postagens de junho, 2012

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Um lugar de linhas tracejadas, és tu.

Imóvel, daqui não sairás, permanecerás (co) migo, (co) nosco. I móvel em todas as mentes que tu estás presente, pra todo lugar que me (nos) carrega. Compacto, pequena redoma de termos e sensações plenas invadindo nosso ser, concretizando-se à cada vez que a campainha toca. Com pacto de amor, beijos e sabedoria dos tolos (que metem os pés pelas mãos antes de aprender que  pôr o dedo na tomada leva-os ao choque). És tu, com pacto, és tu móvel e Imóvel Compacto sem espaços, sem silêncio, sem frustrações. És onde encontro os dias perdidos, as noites de lágrimas secas, os sorrisos estampados, as tortas não mais nuas, as palavras mudas, os beijos cegos, os pingos de tinta nunca vistos. És meu travesseiro consolador com todas tuas gavetas, lamparinas e parapeitos. Rosas, tortas e camadas. Brancos, tortos dias sem graça: Tu faz deles melhores, dias de nuvens doces - quase algodão - desmanchando-se em chuva. És onde estou, és quem tu és por mim e por nós que quisermos. És ...

Birra e pressa: Biscoitos, então!

- Um sorvete - Não, senão você não almoça. - Mas ainda falta pro meio dia e a gente tem que aproveitar cada minuto da vida. - Então aproveite brincando, pode aproveitar sem sorvete até o almoço. - Mas a gente tem que aproveitar da melhor forma que puder e a melhor forma agora é com sorvete. - E se não tivesse sorvete, como seria a melhor forma? - Biscoitos de chocolate! - Só o que não pode? - Você não disse tudo que não pode, só disse que o sorvete não pode. Biscoitos então! - Mas filho, se você comer biscoitos também não vai almoçar, mas poderá comer depois do almoço e tomar sorvete à tarde. É só esperar um pouquinho. - Eu não devo esperar, a espera cansa. - Você vai ver, à tarde o sorvete estará ainda mais gostoso, e você poderá saboreá-lo mais e mais. - Você quer me convencer disso, mas eu ainda acho que é perda de tempo. 29/01/2012

Lareira, convite e conversa.

Sobre tortas tenho a dizer, sobre morangos e camadas coberturas  tenho a fazer e histórias das mais bem contadas. Visite-me num dia de chuva que em frente a lareira conversaremos sobre paraquedas e palavras mudas nas que mudaram vidas, focaremos. Poderás contar para mim o teu insano devaneio do ócio à ouverdose, em fim daquele inverno, sem receio. Tomaremos chá, café, sentaremos ao chão nada importará além da rima do refrão do verso, da canção, da poesia do sol, lá no alto, ao meio dia. À noite seremos os mesmos, haverá noite enquanto quisermos aqui o relógio vive infermo o atrasaremos enquanto pudermos. À nós foi investido um poder de guiar o que há de importante então só precisaremos ser amigos, compadres (ou mesmo amantes). Sobre o tempo já foi escrito sobre baterias e poder sobre cama e solstício amor, paixão, amanhecer. Noites foram contadas cobertores e janelas sobre flores mal amadas preciosas como esferas de ouro, rubi, diamante e o...