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Mostrando postagens de setembro, 2012

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Ainda inocente amanhã.

Dizem-me que pareço poeta por uma hora de nostalgia que me vem afinal, é quase madrugada do dia ainda inocente que nascerá, meu bem; que a inocência traz inspiração e quando mordida deixa marcas se quisermos amadurecer teremos que saber lidar com as dores, amores e farpas. Não está doente meu coração quieto e pequeno ele se molda o mais perto que tem chegado do sossego do abraço, do beijo, do aconchego do conforto do travesseiro meu onde por lágrimas me perco e a distância encontro tão certa de desalento e desconforto ela me vem lembrar que o tempo presente trouxe-me embrulhado em laços de fita um sorriso guardado na ultima gaveta da qual eu havia perdido a chave, fazia tempo.