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Mostrando postagens de setembro, 2015

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Faltou Café quente, pra nunca mais

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  "Se tu te vais às 4h, desde às 3h começo a ser feliz" Se por trás de cada palavra minha há uma frase é porque por trás de cada silêncio meu, houve uma lágrima. Se és culpado pelo meu silêncio? Não, mas és por não ter percebido meu sorriso dolorido, pelo tempo, machucado. És culpado pelas vezes que viu e se acomodou em berço esplêndido, embaixo da saia da tua progenitora, longe (de mim). Eu que tanto te ofereci. Eu que tanto me doei, como dói... Eu que tanto te quis, não quero mais. "Não digo que foi ruim, mas também não foi tão bom assim, não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais" O que dói? O tempo. O café esfriou e em cafeteira sem sorte, eu aqueci, mas você deve saber, café requentado não presta... Amarga antes do tempo, até o açúcar se recusa e repousa no fundo da xícara, não quer mais ser mistura, não serve mais. Por trás do teu silencio, houve meu grito incubado. Por trás de teu esquecimento de uma semana, minha lem...