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Mostrando postagens de março, 2014

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Cria da infância:

A criança que desperta não sabe quanto pode brincar não espera a permissão, não rejeita lápis e papel, tinta e massa de modelar. "Tá tudo sujo, quebrado, que bagunça!" Será de imediado o que receberá, diante da sinceridade, do domínio da arte de "criançar", sem descansar, sem pestanejar; continuará pela sala, quarto e quintal cozinha e chão de lama mãos de lama castelos no quintal poças de piscina e o quarto: bagunça paredes: telas sofá e lençol: casinha porque a criança sente como um ímpeto a vontade de se mudar daquele lugar no qual nasceu e incomoda quem a concebeu quem se esqueceu do dia que montou castelo de areia com balde no quintal de cobertor fez escorrega de travesseiro espada. Incomoda, a criança, porque traz o que ficou das lembranças esquecidas atrás do dia cheio, da rotina, da dura vida de responsabilidade do dia feliz pelo doce que...