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Mostrando postagens de junho, 2018

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada Porque amor não te torna boba Muito menos avoada Quem inventa tais asneiras É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele Mas há tempos que mulher manda na vida E se apaixonada ai que mais forte fica Vira Lisbela Vira Tieta Gabriela Rosinha Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta... Pode ser o que ela quiser E ai se for mulher nordestina é que lascou-se Tanto forró Tanto cuscuz Tanto borogodó Faz qualquer desejoso por mulher Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão Quando descendente de mulher casada com Lampião Aparece em tua frente Passa do teu lado Deixa seu perfume Te olha dissimulada Te faz perder a pose Lembrar da sapatilha Compor um blues E até francês falar É pai... cuidado Tem jeito não ...