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Mostrando postagens de agosto, 2015

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Tempo de conflito

Até onde vale a pena Até onde é em vão? Quando ceder a vontade Quando justifica o não? Quais palavras usar Se nem elas te convencem? Se elas discordam E entram em conflito Em paradoxo estado Apenas pensar no amanhã justifica Apenas o amanhã responde Mas se é hoje que se vive E o amanhã pode não existir Como basear a decisão Em incerto tempo Ainda não vivido Se o presente conhecido Quer  te seduzir? Usando mansas palavras Bem perto ao ouvido "E se esse depois não vier Enquanto eu estou aqui Sacrificará o que já tens Contrapondo o desejo com "mas", "porém" ?" E o que ainda te resta de sanidade Depois de jogo de sedução Usa tuas pernas contra a vontade E te faz acatar a decisão Até tua cama chegar Em solitária condição Te convencendo contra o desejo Que foi o melhor a fazer Sacrificando a vontade Ainda em paixão a arder Maldizendo o...