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Mostrando postagens de julho, 2012

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Prazer comportado.

Queria escrever algo que me inspirasse algo maior e o desejo fosse crescendo e por minhas mãos tomando forma até que pudesse ler e duvidar que meus punhos seguraram a pena que criou tal cena. Uma cena, sim, com detalhes e cores, sensações e amores, sabores, odores tudo que há de necessário para sentir, “ sinestesiar ” até o fim, até que não haja fim, para não se desejar que acabe, para desejar o amanhã, a eternidade da lua, que a manhã tarde e o Sol tenha preguiça de nascer, para que o amanhã seja tarde, seja longe, seja depois; porque a noite, ela sim será capaz de contar o que tenho a dizer, para que se possa, se queira apenas desejar. O corpo é necessário, mas seja só de corpo e tu não serás satisfeito. Já foram cachos, camadas e cascatas. Já foram cama, lamparina e varanda. E hoje são apenas tudo de uma só vez, todo luxo e prazer que emana de seus corpos não despidos em loucura; de seus olhos nus a procura de algo maior que pudessem encontrar, de algo novo que os levass...

Desista.

Não acredito no seu ceticismo. Lúcida de menos, sou mais o que sonho. Não me venha com essa de (des)significar, tudo está certo, exatamente no lugar que nunca esteve. Se não pode ver ou sentir, sinto muito. Sou crente demais para o que você descarta. Olhar do ângulo errado faz do certo torto. Seu ângulo é obtuso demais e agudo de menos. Não seja tão reto. Tão cético. Por não saber explicar, diz-me que não é; por não saber explicar, digo-lhe tudo que pode ser. Porque não será agora, mas num dia que faça sentido. Não o mate que eu não deixarei e numa gaveta estarás a salvo de seus punhos. Não o tire assim de mim que você não conseguirá. Quanto tempo levar, quanto dele precisar, mas ficarás comigo, estarás comigo mesmo sem saber, tu. Quanto a você... Já sabe o que fazer.