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Mostrando postagens de março, 2013

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Jamais monocromática luz

Tenho muitos sentimentos e isso não é de hoje Já achei que acharia a cura, e na procura enfim sanaria algum tipo de enfermidade que me convenci de ter, por não encontrar nos meus identificação qualquer. Hoje não me atormenta mais quando sou única a dizer palavras sem sentido, planos e hobbies que nada oferecerem aos desencantados pelas letras, poesias e versos escondidos do inverso de a certeza de viver. Se convencem da não-dúvida quem ao menos provariam não sei como pensam e o que pensam ao dormir enquanto em meu leito me deletito em possibilidades e julgo meu passado por um dia a mais ter deixado de sorrir. O pretérito não desejo mudar, imperfeito continuará a ser não o trocaria por um qualquer, vulgar esse perfeito que você julga ter; acabado e sem sentido, sem ao menos ter durado continuado, se extendido, uma ação, um reles passado. Minha memória e meus textos me trazem o presente de outrora vivido e descrito nessas linhas, inspirações e horas sem sono sem a...

Longe demais

Sinto tua falta mesmo quando converso contigo; tu não estas aqui, sinto vontade do teu sorriso. Tua voz me traz um tanto do que está longe de mim, mas não traz para perto, não faz a saudade extinguir. Soa estranho agora isso que sinto, portanto me calo; não sei se deveria, mas permissões não me convencem mais. O que sei é o que passa em meu peito quando é tão difícil definir, mais errado seria negar por falta de nexo existir. O porquê me falta, a explicação não vem, mas quando converso contigo, ainda assim estás longe, estás lá queria te sentir da mesma forma como quando te vejo, e  fica a falta, a sobra do desejo. Ainda que por horas contigo permaneça a falar num telefone qualquer, a lacuna se abre como um abismo que se enlarguesse. És tu, como posso me sentir assim, se te procuro para sanar a solidão que me enfraquece? Na tua presença sou forte, vício e coragem, mas quando estás longe, só me resta a saudade. 02/03/2013