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Mostrando postagens de setembro, 2020

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Em dança outra não cabe minha sapatilha

Na linha tênue, eu ando E desando de vez em quando De guarda chuva nas mãos Com medo de cair em coração outro  E no tropeço machucar  E não mais merecer A amizade que tanto demorei a ter Não é justa essa saia que me oferece  Aperta minha circulação  Não me ponha espartilho ou meia calça  Que faz doer meu coração  E nem sempre saberei o que fazer Agora sei que só resta ser justa ao dizer Que dessa dança não faço parte Balé, valsa ou lambada  Decida qual a sua Como assim deve ser