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Mostrando postagens de junho, 2017

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Intermitente estado

Vestida de moral em conflito, despida de certeza e solidão, vejo a vida feito prosa e a verdade feito lampejo daquele que acaba antes do último suspiro, como a estrada que muda à cada curva, como o espelho que reflete diferente imagem quando nele distinta feição encara seu (fadado) destino.

Sobre ser o teu amanhã perfeito, hoje.

Não te afliges, pequena menina De tão poucos anos e tanto aperto no peito Não te culpas por sentir demais Se é o coração feito pra dar vida a tua alma. Sorri, grande mulher E vê em espelho teu o reflexo de quem queres ser amanhã Seja hoje o teu amanhã perfeito Seja feito prosa, poema ou canção Quem sabe, ainda, um soneto Pra quando a vida metrificar Que ainda assim seja possível Expressar todo teu amor (guardado) Por um alguém ou vários Seja amigo ou amante De uma noite ou alguns anos Porque o tempo, menina, já é relativo E só depende dos olhos teus A maneira que (a vida) tu desejas Enxergar. 18/06

Memórias feito prosa

De tantos em tantos tempos de constante transição; entre cachos feitos e cortados,  desfeitos à mão. Seria essa vida então construída (de) lamparinas, varandas e ampulhetas, sono, socorro e entrelinhas, de um alguns versos ainda não escritos [Por sorte (e) por espera do tempo que ainda vem] de folhas ainda em branco esperando da areia que estar por cair lembranças ainda mais intensas daquelas que na memória fazem morada.