Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Wake up!


Você reclama. Eu reclamo. Porém, mais doce que a realidade não há.
Por mais que me perca em devaneios ou tenha passado horas em sonhos, jamais senti (e jamais sentirei) o aroma ou sabor tamanho de um minuto estando acordada (num sonho qualquer).
Sim, doce. Sim, bom... Muito bom e jamais algum tipo de sonho será melhor.
“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar” (Shakespeare)
Nossos sonhos são traidores e nos fazem perder o tempo que poderíamos viver se não fosse o medo de acordar. - Eu diria.
Acordar dói. Dói como a primeira vez que você respira só, quando nasce. Mas é tão necessário e de necessidade transfigura-se em vício.
Acordar é como ter amigos: Você pode não julgar necessário ou mesmo duvidar se de fato é possível, mas então quando você se convence, vicia e não quer viver mais de outro jeito.
 De pé.

Obrigada por me fazer levantar!

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