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Mostrando postagens de maio, 2026

Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Inocente esperança

Como escrever sobre o que eu não vejo Como possuir o tempo que não vivo Como possuir o tempo? Se ele se vai e eu fico aqui Enquanto me leva para longe de quem eu fui  Para perto de quem eu serei Para longe do que eu sei e de quem conheci Antes cantado como um dos Deuses mais lindos Protagonista de canções e textos diversos Tecido por cienistas e escritores dotados de inocente esperança de compreendê-lo Continua indo por todos Com todos Para todos Enquanto é possuído por ninguém.