Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Que teus olhos me vejam.

A viola desafinou, o piano perdeu as teclas e o maestro o compasso, quando tu não me avistou. Fiquei de longe te olhando, pensando em ir conversar qualquer coisa sobre motores, chassi  ou teu perfume, só pra conhecer tua voz, aparecer em tua foto, contigo prosear. Mas menina não tive coragem, então fiquei admirando, guardando cada cena, planejando contigo falar, até comentei com amigos meus, sabes como são os homens... Disseram: "vai lá ôh Romeu, não é dela que quer saber o nome?"
Porém quem disse que as pernas obedeciam o que a mente desejava, só se moviam os olhos ao te ver entre elas, querendo estar naquela foto, pra que em noite qualquer tu perguntasse "quem és aquele intruso? Meninas vocês conhecem? Nunca Vi mais mudo" só pra que em teu celular eu estivesse.
Entretanto não foi assim que prosseguiu e o tempo tomou outras rédias, foi disfarçado de outro perfil que continue a te observar e traçar e pensar e curtir.
Mas como toda vontade não demora até a ela a gente se entregar, então mostrei as caras, me despi do lençol e de toda carapuça, contigo fui falar, me mostrar, te segui, de ti esperar, resposta.
Ao ver que não silenciou e a mim não ignorou quase que não me dei e respondi com presteza, já estando longe dessa vez, mas não importava porque tu sempre falava cheia de gentileza.
E ali eu já sabia que não seria conversa única, essas coisas a gente sente, sabe (deseja e se convence).
Eu não satisfeito em apenas conversar, fui então tentar te encontar, contudo naquela tarde fui traído, quando corri pra te vê, pelo tempo e pela estrada que sem consideração me levaram a outros lugares, longe  do teu coração.
Bons amigos nos tormamos, podíamos até ser mais, mas por recente notícia tua, de um andarilho que apareceu, percebi que pelo visto não está nos planos desse tempo que presente se faz.
Não esmorecerei, posso até morar mais longe, ei de chegar a ti, de perto, sem emoticons, áudios ou letras, não importa quanto tenha que cair da areia da ampulheta.
00:37h
11/02/2016

~ ~ às vezes a gente se veste do outro, pra falar pra alguém sobre o que o outro se cala ~ ~

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Da janela, ela lembra

About #saudade

Barquinho de papel (azul)