Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Sim, meu amor é caro

|| O amor se mostra quando falta, para dizer que sem ele não há vida que valha a pena. ||


Foi comprando meus gozos que enriqueceu
O meu, o dela, o dele também
Enquanto me pagava, quinto nome da lista
Tinha o direito de querer
Querer e ponto.
Minha dor, dele o prazer
"Não me importune com teu cansaço"
"O teu dinheiro sai do meu bolso"
Descanso sem uma palavra proferir
Amanhã
Da minha boca
Do meu ventre aquecido
Das minhas pernas
Fará fortuna
"És importante, tu
Não gozo sem ti
Desde que calada me sirva, obedeça a mim"

Digo sim, mas com amor é mais caro
E não, não podes pagar.

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"Aos garotos de aluguel" inspirando alguns versos

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