Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Bem vindo ao novo, de novo, bem vindo.

Te despe, e nu mostra toda tua essência. Sem trages, costumes ou tradições. Mais do que quiser ser. Talvez diferente, talvez igual... certeza de ser verdadeiro, certo ou errado, pro bem ou pro bem e faz teu dia, teu mês e teu ano segundo tua cabeça, tua fé e tua vontade. Verbaliza o que deseja e não o contrário,  faz a tua parte e joga pro universo, quando não tiver todas as cartas, escreve pra Deus, mas faz. Faz e faz de novo porque o ano pode ser mais um, pode ser um começo, pode ser um fim e só tu pode decidir.
It's your call, your responsability, your life!

01/2018

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