Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

AM - MA (R)

O que haveria de mais bonito que o autêntico?

Não vejo agora.

Se não o amor, o que responde toda a dúvida?
Haveria?

Quanto muitos dizem que tudo vai desmoronar e para o seu bem você deveria ser outra pessoa, o que fazer?
A coragem que o amor traz responde em silêncio de palavras, em barulho de ações: Só se é. 

Como diria Clarice, fundamental é ser e viver o instante-já.

Coragem é o que mais vejo quando olho para vocês.
Nesses tempos que precisa-se de coragem para amar.

E nesse quesito vocês dão aula!
Da maneira mais plena e bonita que alguém poderia ser.

Parabéns por enfrentarem o mundo!

Parabéns por serem Maika e Angra sem ceder.

Parabéns por Ser.

Que venham anos,

mais.

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