Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

a morte do coração cobrador

Há pouco descobri
Sobre o peso que dava
Aos sentimentos que existiam
Pela falta que criei em mim

O excesso esconde a falta, ecutei
A mesma falta
que a falta faz, vi num livro
E que deixa obscuro o amor
Aquele que deveria oferecer, cobra, disse Clarice

Foi quando ficou claro
Foi quando mais doeu
Quando senti o peso que fiz aparecer

Tudo bem 
porque aprendi

09/01



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