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Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

AM - MA (R)

O que haveria de mais bonito que o autêntico? Não vejo agora. Se não o amor, o que responde toda a dúvida? Haveria? Quanto muitos dizem que tudo vai desmoronar e para o seu bem você deveria ser outra pessoa, o que fazer? A coragem que o amor traz responde em silêncio de palavras, em barulho de ações: Só se é.  Como diria Clarice, fundamental é ser e viver o instante-já. Coragem é o que mais vejo quando olho para vocês. Nesses tempos que precisa-se de coragem para amar. E nesse quesito vocês dão aula! Da maneira mais plena e bonita que alguém poderia ser. Parabéns por enfrentarem o mundo! Parabéns por serem Maika e Angra sem ceder. Parabéns por Ser. Que venham anos, mais.

A Dama Sarcástica e o Primogênito

Como há de haver emoção na vida daquela que busca pelo incrível, Isabela Xavier, ou a Dama Sarcástica, como ficou conhecida depois de tal episódio que se sucedeu em Março do ano de 2019, descobriu que uma pessoa próxima era na verdade um vilão. Daqueles, meu caro leitor, que fazem jus pelo título que possuem e colecionam todos os elogios cabíveis à Bruxa má do Oeste, Scar, Rainha Má, Drisella, Jafar... e tanto outros que pelo propósito dessa narrativa não cabem ser propagados aos vossos ouvidos. Deixo aqui a sua criatividade fluir, como córrego sem empecilhos e viajar nas memórias de outrora para assim elogiar o vilão dessa saga como melhor desejar. Mas o que de fato ocorreu? Foi quando nossa heroína teve o seu progenito roubado de seus braços, por vilão desprovido de alma. Aquele que tinha como fins criá-lo como seu, guiá-lo pelos ensinamentos mais desumanos, privá-lo da identidade que o pertencia.

Antes e agora e depois

Perdão é sobre Crescer Saber mais sobre si. Ser alguém que se orgulha por ter chegado aqui. Perdoa-te Ama-te Antes e depois também O outro é o outro Outras ideias Outra história Outros perdões. Ama-te agora antes de querer amar-te depois

Tudo

Por anos vivi entre aqueles que tinham interesses outros. Hoje vivo no cerne do que pra mim faz sentido e me sinto superfície. Superfície no meu próprio mundo.  Por anos aprendi a ser média, mediana, mediocre. Aprendi a decorar frase feita do que pessoas dedicaram a vida para descobrir. Uma frase de cada um, como se aquele mínimo pudesse resumir a vida de dedicação  de quem foi tudo, tudo agora numa página de caderno.  "É importante saber um pouco de cada coisa" Frase feita enraizada num esforço monumental de 10? 16? 25 anos.. De volta a meu mundo encontrei pessoas que são tudo e assim me tiram da superfície quando lá insisto em voltar. Tiram-na de mim. Como quem arranca um mal pela raíz.  E pra dentro trago, pra perto do peito, tudo que quero ser. Tudo que faça sentido.  Agora. Tudo.

Você sabe, só não quer dizer...

Em 2016 minha estrada de tijolos amarelos apareceu pela primeira vez. Feito Dora em destemido redemoinho, perdida entre mundos que nunca foram meus, conheci um sábio. Homens de lata, espantalhos e leões viram na sequência... Esse ser de coração partido e refeito, inquieto, insatisfeito, nem sabia que "mudaria" de nome. E  ele me ajudou a descobrir qual era o meu. Apresentou-me à minha monge, que hoje usa vermelho, à minha guerreira, à minha cigana. "É o mundo dele... Só isso" Foi uma das frases que me trouxe mais clareza antes de eu saber o que clareza significava. Hoje sou mais de mim. Mais escritora, mais cozinheira, mais Fafá. Mais de tudo que eu já era e sabia. Sábia de sabedoria que autor esqueceu de por num livro [Ou em vários que na minha estante descansam em pé] Hoje sei que meus pensamentos mal cabem na minha mente, Que meu pavio é longo, Que explodo um prédio quando ele asc...

Pode acontecer tudo, inclusive nada.

Feito personagem de novela, atua em fadado momento. No impasse da falta de justificativa para evitar insistência indesejada, mergulha no âmago de sua criatividade, jurando sofrer de cefaléia, em frente ao espelho se convence de palavras que parecem ser tiradas de carta de poeta. Faz tocar telefone outro: "Amigo. Preciso dizer que farei-me ausente, contra minha vontade. Sendo eu escravo de meu corpo que desfalece em agonia e dor, repousarei em cama minha até que presente indisposição me deixe e novamente tenha paz. Aguardo ansiosamente pelo próximo happy hour. Boa noite, meu caro. Apreciem feliz momento por mim"

Inconstantemente

Sobre um sorriso bobo eu verso debruço, desfaço, refaço certezas e afins. Sob meu travesseiro escrevo, e não durmo. Confidente e confiante ele permanece. Como poucos, os importantes de agora. Cada hora tem seus importantes números, cores, perfumes, sabores... E se a hora passou, passou a valsa, o samba, o tango, a lambada... o bolo acabou. o almoço acabou, às vezes ele acaba. Até a próxima hora do dia do outro dia ao meio dia.