Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Chiclete e roubo: Ainda são sete anos

Foram sete anos, ainda são.
Despido de direito tu, eu nego o teu desejo.
O teu roubo, sem perdas para mim.
Uma noite diferente
Com pessoas diferentes
Uma volta para casa diferente
Teu espaço se reduz a um desencontro que faz sentido apenas na tua cabeça.
Já te disse isso
Então escuta de uma vez
São sete anos para mim.
Um segundo pra tu.

Um segundo és tu, pra mim

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