Setenta

O quarto nunca ficou pronto. Para o futuro ele foi planejado, não para o agora. Todos os dias ele observa os ponteiros do relógio demarcando a hora presente e nada mais. Na impossibilidade de enxergar o futuro, ele não encontra tempo para sua construção. A relatividade, para ele desconhecida, continua traçando regras enquanto, diariamente, a frase é repetida "o tempo não espera por ninguém", enquanto ele espera, afinal "tudo no tempo de Deus". No quintal, na ausência do fruto do seu plano, ele olha para cima e pergunta: "Meu Deus, quando será?" Se o relógio de pulso mostra em números a vida acontecendo e também não marca o futuro, onde estaria esse tempo não conjugado, tão desejado, nas mãos de quem, senão nas suas? Li em Clarice sobre o instante já, seria ele o movimento do ponteiro dos segundos demarcando o passado? O futuro define o presente, li de um futurista uma vez, e tal evento só acontece quando é criada uma estrada que comece nos nossos pés imedi...

Pixel por pixel


Fascinação, perfeccionismo, mania ou mesmo chatice: Chame como quiser, mas sou louca por eles. Toda a diferença, notados quando em conjunto, pela maioria; unitariamente, por mim, são indispensáveis, mais do que isso: Fundamentais.
O orgulho de um desenho, a perfeição de um origami, uma demonstração de afeto: Eles permitem tudo isso. Mesmo os mais práticos, apressados ou mesmo insensíveis são capazes de perceber a falta que eles fazem quando sua ausência é fatalmente decretada (um desatino, uma falta de sanidade estupenda, um horror!).
Sim, motivo para estresse supremo desprezá-los. Quando ausentes, as reclamações aparecem, mas basta que seja necessário um pouco de trabalho e pronto: Uma cascata de justificativas para não usá-los (como se fosse possível).
Uma cor, uma preferência, uma música ou mesmo um sinal: Volte teus olhos para eles e serás recompensado.
Ah, Detalhes... Como viver sem?



02/01/2012

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